segunda-feira, 1 de março de 2010

A Polícia na Sociedade (Parte II - Cap. 1)


PARTE II - PORTUGAL

1 - Evolução das polícias

Nas sociedades medievais a ordem pública e o respeito eram impostas por pressão social que obrigava o indivíduo a acatar um conjunto de regras aceites implicitamente por todos, por temor a Deus mais que dos homens. Essas regras impostas por tradição obstavam, também, que se cometessem determinados actos tanto do foro civil como do religioso.
A função de todo o governante secular na Idade média era normalmente definido pela fórmula corrente Pax et Justitia. Se a justiça reinava, havia paz; se a paz existia, era sinal que reinava a justiça (Kantorowiez, citado por Martim de Albuquerque e Ruy de Albuquerque, ob. cit. p.324 - Livro da ESP.
Estátua de D. Afonso Henriques
Trata-se da mais antiga figuração iconográfica do nosso primeiro rei, procedente da Igreja de Santa Maria da Alcáçova de Santarém. Actualmente encontra-se no Museu do Carmo em Lisboa.
(Livro: Reis e Rainhas de Portugal. Autor: Manuel de Sousa - Prefácio de Dom Duarte de Bragança)


Assim sendo, os nossos primeiros monarcas começaram desde logo a outorgar forais às diversas localidades e neles estipulavam os direitos e deveres dos seus moradores, passando, por isso, a serem conhecidas as regras pelas quais se deveriam reger.
A manutenção da ordem era da competência dos alcaid
es que, por vezes, delegavam nos alcaides pequenos, a quem incumbia prender os delinquentes.
Estes alcaides tinham à sua ordem os home
ns jurados que lhe eram dados pelos Oficiais dos Concelhos; as armas eram-lhe fornecidas pelo armazém régio e os salários eram pagos pelos alcaides-mores.

Lisboa - "O Rocio" - Antes do Terramoto de 1755

A Cidade de Lisboa

Lisboa é, seguramente, uma das mais antigas cidades europeias e, quiçá, mais misteriosa. A origem do seu povoamento recua até à Pré-História. A antiguidade da nossa Lisboa é mais remota do que a lenda da sua fundação por Ulisses, o mítico herói. As muitas lendas terão contribuído também
para a ocultação da clareza dos dados históricos propriamente ditos. Diz-se que a realidade mais flagrante foi no período de domínio árabe (714 a 1147), devido à escassez de fontes escritas em que se somou o desaparecimento dos manuscritos árabes de que foi principal responsável a Igreja Católica, através da Inquisição.
Também se diz que a fundação de Lisboa, atribuída pelos antigos e heróis fabulosos convenientes à explicação etimológica do seu nome (Ulisses, Lisa e Elixa), deve com maiores probabilidades de acertar atribuir-se aos Fenícios. À vetusta colónia fenícia «Alis ubbo - enseada amena», que ocuparia o monte do Castelo de S. Jorge, no alto e na vertente S., outros colonizadores se sucederam, vindo a p
ovoação a ser ocupada no ano 205 a. C. pelos Romanos, que a elevaram depois à categoria invejada de município romano com o nome de «Felicitas Julia» que subsistiu com a designação latina de «Olissipo ou Olissipona». O burgo romano ocupava, da mesma forma que a póvoa fenícia, o alto e vertente S. do monte que então ficava a cavaleiro de um braço do Tejo, cujas águas alagavam toda a Baixa actual, abraçando o Monte de Santana e seguindo pelos talvegues da Baixa de Valverde e da Mouraria. Sobre o esteiro escarpavam-se pelo S. o monte Fragoso e a Pedreira (S. Francisco e Carmo) em declives rápidos, tais como hoje os outeiros da Outra Banda. A povoação romana fortificada pelo povo-rei possuía, além dos muros que a cercavam no Monte, algumas torres soladas atalaiando a cidade, uma das quais devia assentar onde hoje se ergue a torre de S. Lourenço, na Costa do Castelo, e outra, mergulhada no estuário da Baixa, onde se cruza a R. dos Retroseiros com a dos Sapateiros. O aspecto do sítio dessa povoação ancestral de Lisboa era pois muito diferente.
Lisboa estava ligada com «Emerita Augusta (Mérida) por t
rês estradas militares que constam do Itinerário de Antonino (Roteiro de Lisboa - Editorial Domingos Barreira).


Praça do Comércio, ou Terreiro do Paço, antes do terramoto, Santa Luzia

Livro: Portugal "Guia American Express"

Arrasado pelo terramoto de 1755, o centro da cidade de Lisboa (a Baixa), é quase todo do século XVIII, com ruas cuidadosamente planeadas. Nas colinas de cada lado do centro, as estreitas ruas de Alfama e do Bairro Alto tornam a cidade mais intimista. Desde a construção da Ponte 25 de Abril, nos anos 60, a cidade expandiu-se para a outra Banda. É um porto importante desde os seus tempos de glória, na época dos descobrimentos. Hoje, as docas mudaram de local, mas, em Belém, os grandes monumentos desta zona testemunham o passado marítimo da cidade.

A Baixa Lisboeta

A Lisboa moderna tem muitas recordações do terramoto. O inovador plano de Pombal é bem visível nesta fotografia da Baixa. Levou vários anos a construir e o Arco da Rua Augusta só ficou pronto um século depois, em 1873.

Arco da Rua Augusta, construído em 1873

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Os principais crimes graves de que há menção de castigo, foram sucessivamente definidos por D. Afonso III, D. Dinis, D. Pedro e D. João I.
Os bairros e os terrenos coutados, por se terem tornado covis de ladrões e assassinos, foram extintos na sua maioria e de tal modo que o criminoso só passou a achar refúgio em «terrenos sagrados» da Igreja ou Convento. Os crimes por especulação nos preços dos géneros essenciais à vida da população, começaram a ser julgados no reinado de El-Rei D. Pedro, no local do mercado público, na Ribeira das Naus (Tribunal do Juízo dos Almotacés). Os prevaricadores após pagamento de multa, eram expostos à "assoada" da multidão.
Quando as medidas de desenvolvimento, tomadas por D. Dinis, começaram a surtir efeito, o país foi assolado pela Peste Negra, no ano de 1348, pandemia que matou mais de um terço da população portuguesa, o que, obviamente, teve um vastíssimo leque de consequências, nomeadamente a fuga desenfreada de gentes dos campos para as cidades, com especial destaque para Lisboa, Porto e Évora.
Para melhor ilustrar esta migração, a nova muralha construída em Lisboa, entre 1373 e 1375, abrangia seis vezes mais do que a área amuralhada do século XII.
Nas cidades, o afluxo das pessoas deslocadas, para lá das carências do mercado de trabalho, originou um proletariado no desemprego, um
acréscimo na massa dos indigentes e, como consequência, um surto de marginais. Por todo o País circulavam bandos de terra em terra, designados «goliardos e goulães», mendigando, assaltando, roubando e matando.
Porque a falta de segurança era alarmante, particularmente nos aglomerados populacionais de maior dimensão, a situação agravava-se pela falta de iluminação à noite.
Por solicitação dos juízes, vereadores e homens bons da cidade de Lisboa, D. Fernando, pela Lei de 12 de Setembro de 1383, criou os quadrilheiros e nesta mesma lei determinou ainda que a cidade de Lisboa pas
sasse a ser iluminada.
(Curiosidade acerca da iluminação da cidade:

... Ainda no tocante à iluminação, para além dos interiores, há que considerar também o espaço público, que cedo preocupou as autoridades. Não só por ocasião de acontecimentos festivos, como nascimentos e casamentos de príncipes e princesas, e recepções régias, em que todos eram convidados a colocar «luminárias» nas janelas. Havia o lado mais «negro» do mundo do crime a coberto da escuridão da noite. Nas cidades, os únicos «luzeiros» eram as lamparinas que faziam crepitar a sua luz em nichos e oratórios de santos e cruzeiros dispersos pelo tecido humano. O caso de Lisboa é o melhor conhecido. Até ao fim do século XVIII, circular com alguma segurança durante a noite só em grupo e com archotes acesos. Remonta a D. Fernando a preocupação de difundir candeias pela cidade. Por carta de 12 de Setembro de 1383 determinou que nas ruas estivessem acesas durante toda a noite, cometendo a responsabilidade aos «homens bons» de cada freguesia. A sua morte neste mesmo ano fez gorar a medida. Segue-se um largo silêncio oficial, só quebrado em 1689 com o decreto de D. Pedro II, em que solicitava ao Senado da Câmara parecer sobre o modo de se «alumiarem as ruas da cidade», à semelhança do que se fazia nas cortes estrangeiras. Os exemplos inspiradores eram Paris a que se seguiu Londres).


«Quadrilheiro» (séculos XIV a XVII)

Os quadrilheiros vestiam saltimbarca «vestidura larga com aberturas laterais», sapatos, calção, meias e um sombreiro; usavam uma lança de 18 palmos, assim como uma vara com dimensão nunca inferior a 9 palmos, nem superior a 18, pintada, inicialmente de verde com as armas reais.
Eram nomeados pelos juízes e vereadores e ficavam subordinados à Câmara, tendo-se iniciado aqui uma espécie de polícia municipal. O te
mpo de desempenho de funções era de três em três anos e em termos de organização agrupavam-se, pelas ruas da cidade, em pequenos grupos de quatro, denominado quadrilha, a fim de impedirem quaisquer actividades perturbadoras da ordem pública, nomeadamente de assaltos, furtos, crimes de qualquer outra natureza, movimentação de suspeitos e vadios. Segundo alguns historiadores, o número de quadrilheiros chegou a atingir o número 115, distribuídos pelas 23 freguesias da capital do reino.
Foi o quadrilheiro que marcou o começo da manutenç
ão da ordem pública, o qual tem seguido um caminho de constante evolução que teve e terá continuidade, por certo, no futuro.
Em 1460, com o intuito de tornar as funções dos quadrilheiros mais atractivas, D. Afonso V dispensou-os de contribuírem com armas e bestas para a defesa do reino enquanto estivessem no desempenho desta actividade.
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Foto que tirei no Bar de Oficiais do Comando Metropolitano da PSP de Lisboa
(Beberete de Aniversariantes «prova de vida» - 14-04-2010
)

É bem visível, na parede do bar, de um painel de azulejos alusivo:
Aos Uniformes Policiais Antigos:
  1. Quadrilheiro séc. XIV - XVII
  2. Guarda Real da Polícia - Cavalaria 1808
  3. Guarda Municipal de Polícia - Infantaria - 1834
  4. Polícia Cívica - 1898 (Gala)
  5. Sinaleiro - 1942-1948
  6. Gala 1959.
À Estância LXXII, Canto VII, de «Os Lusíadas" - Luís de Camões":

"E, se esta informação não for inteira
Tanto quanto convém, deles pretende
Informar-te, que é gente verdadeira,
A quem mais falsidade enoja e ofende.
Vai ver-lhe a frota, as armas e a maneira
Do fundido metal que tudo rende,
E folgarás de veres a polícia
Portuguesa, na paz e na milícia".

Nota: Nas anotações da Obra «Os Lusíadas», Polícia = civilização.


«Polícia», a palavra que na sua origem grega (Polis) significava «cidade», mas também a da segurança desta. Foi usada pelos clássicos da nossa língua no sentido de «civilização, cultura de costumes». Camões (ainda no Canto X - Estância 92 ... «Vês Europa Cristã, mais alta e clara; Que as outras em polícia e fortaleza ...»), e mais tarde Herculano, usaram-na com esse sentido (e Alexandre Herculano, História de Portugal, I, Pag. 32 e VII, pág. 325). Leis e regulamentos de polícia vêm sendo, desde longa data, as disposições destinadas a garantir a ordem e a segurança públicas; «a polícia» é a instituição que assegura a ordem social e «o polícia» é o seu instrumento.

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Compilação de Leis

As Ordenações Afonsinas estavam divididas em cinco livros e, cada um dos livros, continha um certo número de títulos, com rubricas que indicavam os assuntos. Todos os livros se apresentavam precedidos de um preâmbulo, narrando-se, no primeiro de todos, a história da própria compilação iniciada por vonta
de de D. João I. Dada a época em que se procedeu à compilação a obra era notável, mesmo comparada com outras europeias do seu tempo, e tinha uma importância determinante na história do Direito português.
(Lei das Sesmarias «Ano de 1375» - Determina que os vadios ociosos e falsos religiosos que sejam filhos ou netos de lavradores sejam constrangidos a trabalhar a terra. Quem o não fizer será açoitado e obrigado ao trabalho. É permitido aos fracos, velhos e doentes que peçam esmola. Para fazer cumprir a Lei ordena que em cada «huma Cidade ou Villa de cada huma comarca, e província das Correiçooes, sejam postos dous homees boõs dos melhores cidadaãos» com autoridade para investigar e mandar executar a Lei - Fernão Lopes, Crónica de D. Fernando).
Esta Ordenações (Afonsinas) prevêem as penas contra os crimes de heresia e feitiçaria, mas não se ocuparam nunca especialment
e dos judeus ou dos infiéis, contra os quais se viriam a estabelecer as Inquisições modernas em Espanha e Portugal. Este tribunal foi criado pelo papa Inocêncio III (1198-1216), o qual passou de França a Itália, Alemanha, Espanha e Portugal. No séc. XVII, inicia-se a decadência da instituição, que se acentuou no séc. XVIII. O primeiro regimento do Tribunal do Santo Ofício entrou em vigor apenas em 1552. Não está feita a investigação histórica final sobre os processos existentes na Torre do Tombo, embora cálculos efectuados por vários historiadores apontem para mais de de 30 000 processados pela Inquisição e para cima de 1 500 condenados à morte. Em Portugal, a Inquisição só viria a ser extinta por uma resolução da Assembleia Constituinte resultante da Revolução de 1820, em 31 de Março de 1821. Em termos de funcionamento, o Conselho-Geral deste tribunal, presidido pelo Inquisidor-Geral, era constituído por: Inquisidores; Deputados; Promotores; Notários; Teólogos; Revisores de livros; Comissários; Procuradores dos presos; Visitadores; Alcaides dos cárceres e Meirinhos. Cada tribunal tinha na sua dependência uma cadeia, que se dividia em cárcere secreto ou de investigação e cárcere de penitência ou de cumprimento de pena. A inquisição estendeu ainda os seus tentáculos à Índia e ao Brasil.
(Abolição da Pena de Morte:
Portugal foi o primeiro país do mundo a abolir a pena de morte através do Acto Adicional de 1852 à Carta Constitucional de 1826, no reinado da rainha D. Maria II. Todavia, no Livro de Recordes - o Ghinness, a pena capital foi abolida de facto pela primeira vez em 1798 no Liechtenstein.
A Constituição da República Portuguesa de 1976 estabelece no artº. 21º. que «a vida humana é inviolável e em caso algum haverá pena de morte».

Escravatura no Ultramar:
Decreto de Abolição da Escravatura no Ultramar, in Diário do Governo, Anno de 1858 - Lisboa, Biblioteca da Sociedade de Geografia - . Portugal tornou-se num dos pioneiros da abolição da escravatura. D. Pedro V, particularmente sensível à situação, fez promulgar Lei nesse sentido. D. Luís, seu irmão e sucessor, manda publicar no Diário do Governo, de 27 de Fevereiro de 1869, o seguinte decret
o: «Fica abolido o estado de escravidão em todos os territórios da monarquia portuguesa desde o dia da publicação do presente Decreto. Todos os indivíduos dos dois sexos, sem excepção alguma, que no mencionado dia se acharem na condição de escravos passarão à de libertos e gozarão de todos os direitos e ficarão sujeitos a todos os deveres concedidos e impostos pelo Decreto de 19 de Dezembro de 1854».
No dizer dos biógrafos, D. Pedro V: »tinha um temperamento observador, grave, desde criança (...) mandou pôr à porta do seu palácio uma caixa verde, cuja chave guardava, para que o seu povo pudesse falar-lhe com franqueza, queixar-se (...) O povo começava a amar a bondade e a justiça de um rei tão triste (...)» - Livro: Reis e Rainhas de Portugal)
.

As Ordenações Manuelinas, também cinco livros, só vieram a ser publicadas em 1514. Inserem-se muitos novos preceitos, alguns contidos em leis que haviam saído após a publicação das Afonsinas, além disso, o estilo é mais depurado e a leitura mais acessível.
(Alvará de 2 de Junho «Ano de 1570», dado em Lisboa. Ordena aos juízes do crime que façam o recenseamento de todos os ociosos e vadios, homens e mulheres, nos seus bairros. Qualquer homem que não tenha forma de vida deve procurar trabalho no espaço de 20 dias, findos os quais será preso e condenado a açoites públicos. Se for gente de boa condição deverá ser deg
redado por um ano - Livro dos Reis, Arquivo da Câmara Municipal de Lisboa).
O século XVI é uma época de glória para Portugal que era, com a Espanha, a maior potência marítima dum mundo dividido em dois pelo tratado de Tordesilhas, em 1494, firmado com o auxílio do papa, que servira de medianeiro.
Infelizmente muitas das conquistas da Renascença não puderam encontrar em Portugal o mesmo desenvolvimento que noutros países da Europa, devido à ocupação espanhola, que se seguiu à morte de D. Sebastião, em 1578, durante a batalha de Alcácer Quibir. Este acontecimento mergulha o país num
a crise grave que dura perto de cem anos. A independência, retomada em 1640 com a dinastia dos Bragança, não é verdadeiramente arrancada à Espanha senão depois do tratado de paz de 1668, assinado ao cabo de longas hostilidades.

As Ordenações Filipinas são uma compilação jurídica feita durante o domínio castelhano e inspirada nas Manuelinas. Foram publicadas em 1603, e, em 1643, D. João IV revalidou-as, as quais vigoraram em Portugal até ao Código Civil de 1867, e no Brasil até ao Código Civil de 1917.
(Lei de 5 de Junho e Ordenações Filipinas - Título 69 «Ano de 1595» - Proíbe-se a entrada de ciganos no Reino; se entrassem, seriam presos e açoitados com baraço e pregão seguida de expulsão dentro de um certo prazo. Se teimassem entrar no Reino seriam novamente açoitados e todos os seus bens móveis seriam confiscados. Os ciganos portugueses que acompanhassem os ciganos estrangeiros seriam açoitados e degredados para África por dois anos).
(Alvará de Lei de 20 de Setembro de 1760. Determina que os filhos dos ciganos sejam judicialmente entregues a mestres para aprenderem ofícios; aos ciganos adultos manda que assentem praça como soldados ou se obriguem a trabalhar em obras públicas. Estipula ainda que não vivam todos juntos em bairros separados e que sejam proibidos de usar armas. As mulheres terão de trabalhar. O não cumprimento do estipulado implica as penas de degredo para toda a vida para S. Tomé ou Príncipe sem apelação nem agravo).
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À semelhança do que acontecia em Lisboa, também as autoridades das cidades de província se preocupavam com a segurança e ordem pública.
No Porto havia quadrilheiros que, com vinte homens, moradores dos bairros, serviam em quadrilha.
Documentação
No Arquivo Distrital da cidade de Setúbal, existem livros de vereações, que haviam pertencido à Câmara de Alcochete, datados do século XVI, onde há abundante referência aos quadrilheiros.
Exemplo de um termo de quadrilheiro:

«Termo de quadrelheyro para servir o samouquo a pº (Pedro) dias barq (Barqueiro)
E logo na dita vereação (13 de Abril de 1580) pellos ditos oficiaes foy (aí) eleyto pa servir de quadrelheyro pa servir três annos no lugar de Samouquo e lhe seria dada a vara de quadrelheyro a pº (Pedro) dias barqro mor (morador) no dito lugar do samouquo e diso se faça termo no livro da quadrylha do juramto (juramento) que lhe foi dado asinado por elle. E p (por) aqui ouverão a dita Varão (Vereação) por acabada e asinarão e tomarão (?) prª escriyvão da câmara q ho escrevy e amtrilinhey/annos o que fiz por verdade?»
.......Além de termos de posse de quadrilheiros havia também em Alcochete, em 1586, alcaides das varas, guardas-mores e mamposteiros.

Em 1613 havia em Setúbal oitenta quadrilheiros, que eram divididos por bairros e cada quadrilheiro tinha a sua quadrilha de vinte homens (Livro de Vereações 348, 349 e 350 do Arquivo de Vereações do Arquivo da Câmara Municipal de Setúbal).
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Em Portugal, desde o início da nacionalidade, para além dos inúmeros documentos, registaram-se também diversos factos que demonstram a Justiça como razão de ser e, consequentemente, como fim do poder. Um dos mais significativos, talvez tivesse sido o facto de D. Sancho II ter sido privado do governo pelo Papa, com o pretexto de que não fazia justiça.
D. Dinis mostrou uma grande preocupação em ligar a sua administração à justiça. Com efeito, mandou o Lavrador notificar «todolos Alcaides, e Comendadores, e Meirinhos, e Alvaziis, e juízes e justiças» do reino sobre as suas obrigações na matéria. «Eu sou certo, que vos nom fazedes justiça, assi como devedes», diz o monarca, aconselhando-os a procederem de outro modo, sob graves penas:
"cá bem erede, que aquel que, Eu souber de vós que a non faz (justiça), nem na cumpre, assi como deve, que Eu o matarei por ende, ou lhe farei dar aquella pena mesma, que ouvesse receber aquel, em quen e isto porque, «pero esto faz a mim Deos Rei para fazer justiça, e pero fazela em todo meu Reino: de guisa que cada uum aja aquelle, que deve aaver: e Eu pêra esta vos meto em meu llogar para fazerdes Justiça e pera cumprila».
«Palavras de D. Dinis, citadas por Martim de Albuquerque e Ruy de Albuquerque, ob. cit. p. 325 - Do Livro da E.S.P. - Subsídios para a História da Polícia Portuguesa»".
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Mas o crime não reconhece barreiras, pelo que, em meados do séc. XVII é decretada a proibição do uso de armas carregadas (depois do toque das Avé-Marias) dentro das cidades e vilas, «pela muita devassidão que nelas havia», estendendo-se pouco tempo depois às bengaladas de estoque, punhais e facas. Em 1688, a proibição alarga-se às simples bengaladas e às cabeleiras postiças, estas últimas consideradas artifício indigno dos homens, tanto mais que, serviam para os marginais não serem facilmente reconhecidos.

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A gesta expansionista trouxe muitas alterações à sociedade, particularmente nos reinados de D. Manuel I e de D. João III e o primeiro volume das Ordenações Manuelinas dedica o título LIV aos quadrilheiros. Subentende-se que os considerandos normativos constituintes tenham subjacente o desejo de uniformizar a organização desta força de segurança nas localidades onde já existia, assim como um desiderato de natureza prospectiva, isto é, pretende tornar extensível esta instituição às várias cidades e vilas do reino onde ainda não estava implantada.
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A participação de Portugal na Guerra da Sucessão de Espanha fez concentrar os esforços no envolvimento bélico no país. A delinquência aumentou em Lisboa e, alguns documentos da época referem que todas as noites se cometem tantas mortes e roubos, que, pelo hábito, já parecia que matar era cortesia e furtar modéstia».
Devido ao facto das instituições policiais denotarem grande fragilidade emergente também do Terramoto de 1755 (... milhares de pessoas ficaram de imediato sob os escombros, enquanto as chamas devoravam edifícios e impediam os - parcos - socorros. Quando chegou a noite vieram com ela os criminosos soltos das prisões, aumentaram o pavor, aproveitando o sinistro para matar e roubar), que espalhara o caos e a desordem, o poder central agravava os problemas em vez de os resolver. As forças de policiamento revelavam uma enorme falta de eficácia na manutenção da ordem e tranquilidade públicas. Era urgente e necessário pôr cobro a esta situação.
O rei D. João V apercebendo-se da falta de quadrilheiros e da falta de segurança na capital, determinou que houvesse tantos quadrilheiros de bairro conforme as necessidades.
Deve acrescentar-se que foi o Marquês de Pombal que reformou o Corpo de Quadrilheiros, passando este a designar-se por
Polícia da Corte e do Reino, tendo sido a partir desta altura, que o termo "Polícia" começou a ser utilizado.
A época pombalina caracterizou-se por uma reforma exemplar, no âmbito da administração policial, a partir de 1760, ano em que Inácio Ferreira Souto foi nomeado 1º Intendente da Polícia da Corte e do Reino. Porém, em 1753, a polícia teve uma acção excelente, na captura de um bando de 23 malfeitores, chamada «Companhia do Olho Vivo».
Entretanto Pina Manique é nomeado por D. Maria I, Intendente Geral da Polícia da Corte e do Reino que, em 1801 cria a
Guarda Real de Polícia, corpo militarizado e a cavalo e com um efectivo de 632 homens.



Foto de Diogo Inácio de Pina Manique e respectivo Brasão de Armas
(Museu da Cidade - Câmara Municipal de Lisboa)


Segundo «António Ferrão, a 1ª Invasão Francesa, Coimbra 1923», Pina Manique foi em Portugal não só no tempo da Intendência da Polícia, como em toda a duração das nossas Instituições Policiais, seja qual for a época e a designação destas, o dirigente mais notável de tão complexo e delicado ramo de serviços (do Livro da E.S.P. - Subsídios para a História da Polícia Portuguesa).



Organograma da Intendência-Geral da Polícia

(... clicar 2 vezes sobre a imagem para obter o efeito do zoom)

A experiência operada noutros países da Europa onde se haviam separado as jurisdições, com a consequente melhoria da paz e do sossego público, aconselhava-se a adopção de igual reforma no País. Com este objectivo se publicou o Alvará de Junho de 1760 que introduziu profunda alteração no sistema então em vigor e criou o lugar de Intendente-Geral da Polícia da Corte e do Reino.
A Lei concedida ao Intendente-Geral ampla e ilimitada jurisdição em matéria de Polícia sobre todos os magistrados.
O rei (D. José I) atribuiu ao Intendente a categoria de ministro com graduação, autoridade, prerrogativas e privilégios de que gozavam os desembargadores do Paço e incluiu-o no seu Conselho.

(do Livro da E. S. P. - Subsídios para a História da Polícia Portuguesa).
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Afinal a memória dos homens não é assim tão curta!
Hoje, dia 27 de Março de 2010, o Jornal Correio da Manhã, publicou em «Curiosidades do dia», o seguinte:
"1781 - O Intendente-Geral Pina Manique impõe a obrigatoriedade da inspecção sanitária a casas de prostituição".
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Comentário em anexo

Custódio disse...
"Acho excelente a sua abordagem sobre "Polícia, o Passado e o Futuro".
O ser humano evoluiu de modo a conseguir viver em sociedade, mas, não ao ponto de viver em perfeita harmonia com a mesma. Por esta razão, a introdução de leis foi uma forma natural das civilizações evoluírem e sobreviverem ao longo dos tempos. Naturalmente, acabou por serem criadas forças que protegessem e fizessem cumprir as leis. Estas forças iriam evoluir e acompanhar as civilizações até aos dias de hoje. Como tal, a Polícia foi necessária no passado, é no presente e não tenho dúvida que também o será no futuro.
Parabéns pelo trabalho".
12 de Abril de 2010 11:10
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Caro Internauta, Senhor Custódio
Interessantíssimo!
Este sistema de inclusão de comentários permite-nos fazer uma apreciação crítica (construtiva) sobre o trabalho levado a efeito em relação ao tema desenvolvido.
Adiantarei:
Em Portugal, onde as leis mais antigas que se conhecem datam de 1211, no reinado de D. Afonso II, só vieram a ser promulgadas as primeiras leis de polícia urbana em 1383, no reinado de D. Fernando I
Vinha-se esboçando, assim, uma tendência geral, desde as antigas civilizações, para coordenar a perseguição às várias formas do crime, quer regulamentando em atenção à segurança de pessoas e bens, quer tomando medidas conducentes à repressão dos agentes infractores de polícia e penais.
Direi mais: A polícia não é a administração mas constitui o seu tecido fundamental e não há administração possível sem polícia. Contudo, ela não constitui um fim em si mesma; aparece, somente, como um meio de realização dos objectivos que o cidadão lhe impõe - manter a ordem e tranquilidade públicas - . O Estado, fixa-lhe os justos limites de acção através da lei e de outras normas legislativas reservando-lhe, todavia, o benefício do direito de iniciativa, no que respeita aos métodos de acção, no campo táctico e que respeita à escolha dos meios julgados necessários para o cumprimento da sua missão.
Direi ainda que, é obrigação do polícia cumprir os deveres que a lei lhe impõe protegendo os seus concidadãos e a colectividade contra a violência, as depravações, e outros actos prejudiciais previstos na lei.

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2º. Comentário a este Post

Faustino Matias disse...

"Meu caro amigo Horta
Por incrível que pareça, só agora me foi possível analisar e comentar o seu trabalho que acho muito bem conseguido. Direi esplêndido.
Ainda bem que vão aparecendo pessoas com excelentes capacidades de pesquisa, como é o seu caso e se predispõem a transmitir aos outros. Este seu gesto, faz-me renascer uma ideia que trago comigo há já muito tempo e que transmiti ao Sr. Presidente da ANAP, Vitorino Baroso, para a criação de uma revista publicada trimestralmente pela Associação de Aposentados da Polícia. O que diz desta ideia? Era uma forma dos seus blogues e mais trabalhos de outros poderem ser lidos e analisados por mais interessados.
Reportando-me mais directamente ao seu trabalho, digo-lhe que gostei imenso. A Corporação de Polícia foi sempre ao longo dos tempos de grande interesse público e muito respeitada como o Sr. Horta muito bem descreve; ultimamente tem vindo a perder esta mais valia, o que eu lamento. Não sei se é também a sua opinião.
Termino dando-lhe os parabéns por este belíssimo trabalho e fico esperando pelo próximo.
Um abraço
José António Faustino Matias"

7 de Maio de 2010 10:07

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Caro amigo Faustino Matias
Obrigado por ter participado, mais uma vez, na feitura deste blogue, deixando o seu interessante comentário e também por me ter parabenizado pelo trabalho desenvolvido.
Posto isto, direi que não só CONCORDO com a sua sugestão, como lhe peço para interceder junto do Senhor Presidente da Direcção Nacional de Aposentados da PSP (ANAP) e o lembre da necessidade de criação de um órgão informativo de um Guia, Boletim ou Revista aglutinador que desempenhe realmente o papel de mensageiro, por excelência, de que nos podemos servir para comunicar com os nossos companheiros e veicular para o público externo (...) os nossos desejos, os nossos anseios, aquilo que fazemos e o que pretendemos fazer.
Um Guia aberto a todos os aposentados que nele queiram construtivamente colaborar, nos quais me incluo e disponibilizo não obstante não ter preparação jornalística (Para quem não tenha formação específica nessa área, o seu amadorismo será compensado com grande entrega e generosidade).
Dou o mote!...
GUIA DO APOSENTADO DA PSP (ou da ANAP)
Director - actual Presidente da DN da ANAP;
Chefe de Redacção e Consultor Técnico (residentes na zona centro do País - Coimbra);
Colaboradores - Todos aqueles que o pretendam fazer (Se no meu Blogue existir algum post ou dado de reconhecido interesse ou mereça ser publicado, está ao inteiro dispor!).
Da quantidade e da qualidade dos artigos e trabalhos atinentes da área de interesse dependerá a importância social do Guia.
Todos, pois, ao trabalho para que não falte matéria aos primeiro e seguintes números (Semestrais?). Este é o apelo a todos os de boa vontade.
Vamos tentar obter uma resposta à sua iniciativa no dia 29Mai - Montes Claros-Monsanto, dia do Almoço de Confraternização Anual de Oficiais de Polícia, ou o mais tardar, no Beberete que terá lugar no mês de Junho no Comando Metropolitano da PSP de Lisboa.
Até lá!
Um Abraço
MVHorta

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A Polícia na Sociedade (Parte II - Cap.2)


2 - Transcrição de artigo

Publico nesta parte, a transcrição de um artigo da REVISTA DA POLÍCIA, nº. 100, Jul/Ago/1996, com o título "A POLÍCIA PORTUGUESA - séc. XIX e XX, da autoria do Senhor Subintendente Aposentado Manuel dos Reis, profissional de polícia, de imaginação ardente, que deixou marcas indeléveis na Instituição. Foi, no activo, um homem que lutou contra muitas adversidades num espaço e num tempo fechado e num regime que preferiu desperdiçar o seu talento. Sempre que me refiro a ele, corro o risco de ser menos justo na caracterização de todos os seus feitos ao longo da sua longa carreira de valoroso polícia.


Quadrilheiro (séculos XIV a XVII) - Pintura de Martins


"A POLÍCIA PORTUGUESA
(Séc. XIX e XX)
Um artigo sobre segurança, destinado a ser publicado numa revista de Polícia, necessariamente deveria relatar, embora sucintamente, numa perspectiva diacrónica, a história da polícia portuguesa.
Porém, tal trabalho, mesmo resumido, tornar-se-ia
muito extenso e, provavelmente, fastidioso.
Pensámos pois ser, talvez, mais interessante descrever essa história dentro de uma época nova, que é o séc. XIX, em que há grandes revoluções políticas, sociais, económicas e religiosas, com outras exigências, no que concerne à segurança pedida pela nova ordem, saídas das novas ideias e pela mudança estrutural do poder político em Portugal.
A conjuntura política nacional do séc. XIX punha novos desafios à sociedade e ao poder político a que era necessário dar resposta numa nova filosofia de segurança muito diferente da do Antigo Regime.

As transformações sociais, o aumento da população e o crescimento das cidades, a nova conjuntura política, os complexos problemas sociais das grandes cidades, tornavam obsoletos os corpos de polícia existentes. As desordens sucediam-se, a criminalidade aumentava em número imparáveis. Os partidos políticos e seus acólitos não se entendiam e, muitas vezes, passavam a vias de facto criando uma grande sensação de insegurança. Não havia ordem, nem segurança, nem respeito.
Por já não poder dar resposta aos desafios da nova ordem, foi extinta a Intendência Geral da Polícia em 7 de Abril de 1823 e o cargo de intendente é extinto em 8 de Novembro de 1833.
A reforma administrativa de 1832 cria as Prefeituras de Polícia que, de certa forma, vão substituir a Intendência.

As Prefeituras de Polícia eram órgãos meramente administrativos de Província chefiados pelos Prefeitos, pouco eficazes porque não dispunham de um corpo estruturado e devidamente armado.
O Prefeito era o chefe de toda a administração da Província.
Nos concelhos havia um delegado do poder executivo, o Provedor, nomeado pelo rei, que era o depositário único e exclusivo da autoridade administrativa e tinha também as competências de chefe de polícia na prevenção dos delitos, na manutenção da ordem e tranquilidade públicas.

Os Prefeitos tiveram vida efémera porque logo em 1835 foram substituídos pelos Governadores Civis, - um por cada distrito - no espírito da reforma administrativa de Mouzinho da Silveira.
Os provedores passam a denominar-se Administradores de Concelho (com funções idênticas às dos presidentes das Câmaras actuais) que dependiam do Governo Civil.
São estas autoridades administrativas e policiais que passam futuramente a contar com novos corpos de polícia.

Com efeito, em 1838, por Carta de 22 de Fevereiro, forma criados em cada distrito administrativo do Continente os Corpos Militares de Segurança, a pé e a cavalo, cuja actividade teve curta duração, uma vez que o Decreto-Lei de 4 de Outubro de 1842 permite ao Governo extingui-los, baseado em razões de pouca eficácia e pelos custos elevados (100 contos de réis anuais!) que o tesouro não podia suportar.
O orçamento aprovado em 1841 autorizava o Governo a suprimir os Corpos de Segurança Pública criados pela Carta de 1838, aleg
ando-se o seguinte:
  1. má organização dos Corpos Militares;
  2. não responderem cabalmente aos fins para que tinham sido criados;
  3. não dispor o tesouro de recursos que permitissem suportar os encargos com tais corpos.
Entendeu-se que o exército, por acordo com as autoridades civis, poderia exercer funções de polícia com custos menos elevados. Na sequência disso, foram imediatamente extintos os Corpos de Segurança Pública de Viana do Castelo e Braga.
Paulatinamente o mesmo vai acontecendo em todo o País.
A partir desta data, a segurança policial deverá ser garan
tida pela tropa de linha e pela Guarda Nacional de harmonia com as seguintes disposições:
Nos distritos administrativos onde houvesse corpos do exército em quartéis permanentes, o serviço de polícia era por eles executado e os Governadores Civis entender-se-iam com os comandantes das respectivas divisões militares a fim de fornecerem a força necessária para o mesmo serviço, segundo o que tivesse sido acordado com aquelas autoridades. Em caso extraordinário poderiam requisitar essa força directamente aos comandantes das unidades.
Quando as unidades militares estivessem sediadas fora dos seus distritos, havendo força de linha disponível nos distritos circunvizinhos, os comandantes das respectivas divisões militares, de acordo com os Governadores Civis, estabeleceriam os contingentes, necessários para o serviço de polícia.

Se por qualquer destes modos não houvesse tropa de linha para o serviço de polícia, ele seria feito, em cada um dos distritos administrativos pela Guarda Nacional activa que lhes pertencesse e, na sua falta, pela Guarda Nacional sediada dentro dos respectivos concelhos.
Para o integral cumprimento destas disposições, os Governadores Civis dariam as instruções necessárias para que o serviço de polícia fosse executado nas melhores condições de eficiência e legalidade.
Fica assim assegurada a ordem pública em todo o País até à criação da Polícia Cívica em 2 de Julho de 1867.

«Polícia Cívica» (gala) (1898) - Pintura de Martins

Este diploma determina que haja em Lisboa e Porto um Corpo de Polícia subordinada ao Governador do Distrito com o nome de Corpo de Polícia C
ívica e o mesmo diploma autorizava que nos outros distritos fossem criados, conforme as necessidades, corpos de polícia de natureza idêntica aos daquelas duas cidades.
Estes corpos de polícia de Lisboa e Porto obedeciam a uma hierarquia de comando cujo topo era ocupado pelo Comissário Geral, seguindo-se-lhe o Comissário de Divisão ou de Bairro, os Chefes de Polícia, os Cabos e os Guardas na base da pirâmide hierárquica. Os comissários eram agentes de polícia administrativa e oficiais de polícia judicial.
Esta estrutura hierárquica era comum a todos os outros distritos, excepto o Comissário Geral que só havia em Lisboa e no Porto.
A competência dos comissários estendia-se a toda a circunscrição do Concelho, sede do Distrito.
O mesmo diploma de 1867 criou também os Guardas C
ampestres em todos os municípios, excepto o de Lisboa.
Estes corpos de polícia eram nomeados e pagos pelas Câmaras Municipais.
As atribuições destes agentes eram exercidas em duas vertentes:
  1. em relação às coisas;
  2. em relação às pessoas.
No primeiro aspecto, competia-lhe a vigilância nos campos e florestas, rios, pesca e caça; no segundo, tinha atribuições de polícia civil e de força pública, competindo-lhe assegurar a ordem pública, auxiliar as autoridades administrativas e policiais, com particular incidência na protecção de pessoas e bens.
Eram obrigados a participar às autoridades todos os actos delituosos de que tivessem conhecimento.
As suas competências passam pouco a pouco para outros corpos policiais como Guarda-Rios, Guardas Florestais e Guarda Nacional Republicana, criada em 3 de Maio de 1911.
Em 1834 tinha sido criada a Guarda Municipal de Lisboa e, mais tarde, no Porto, unificadas em 1869 sob um comando único em substituição da Guarda Real de Polícia, que existia desde 1801, extinta por razões de apoio à causa Miguelista.
Estes Corpos de Polícia resistiram à criação e desa
parecimento de outras polícias e vão manter-se em actividade até à implantação da República.
Com efeito, por decreto de 12 de Outubro de 1910 são extintas as guardas municipais de Lisboa e Porto e, em sua substituição, é criado um corpo provisório denominado Guarda Republicana.
Nesta mesma data é nomeada uma Comissão chefiada pelo General de Brigada Ernesto da Encarnação Ribeiro que virá a ser o Comandante-Geral da referida guarda, encarregue de estudar a problemática da segurança pública a nível nacional.
Com o objectivo de criação de um corpo de segurança pública que virá a chamar-se Guarda Nacional Republicana, cujo diploma foi publicado em 3 de Maio de 1911, sendo justificada esta criação «pelas reclamações dos povos pela falta de uma polícia rural» (1), porque «em todas as nações cultas existem hoje, além dos corpos destinados à polícia urbana, outros perfeitamente organizados e instruídos para a polícia dos campos e povoações rurais (1) e porque «os corpos de polícia civil dos distritos, empregados quase exclusivamente no policiamento das capitais, deixam sem protecção os campos e as povoações rurais (1).
A conjuntura política vai-se transformando com a aproximação do final do século e as lutas partidárias agravam-se dia a dia.
No princípio do século a burguesia portuguesa não era contrária à monarquia desde que submissa à nova ordem política constitucional. Isso era uma grande vitória para a burguesia. Porém, com a evolução política europeia e a entrada de novas ideias em Portugal como as socialistas utópicas e científicas faz modificar as suas pretensões e agora pretende tomar o poder destituindo o rei.
Os vários grupos sociais organizados em partidos políticos, juntaram-se ao partido republicano com o único intento de derrubar a monarquia.
Alcançado o objectivo em 1910, os partidos separam-se e quiseram pôr em prática as suas próprias ideias, guerreando-se uns aos outros. Os anarco-sindicalistas puseram o País a ferro e fogo, semeando a insegurança e o mal-estar das populações, tornando atribulados os primeiros anos da jovem República.
O Governo da cidade continuava entregue à autoridade militar e o Governo Provisório dirige-se à população nos seguintes termos:
«O Governo Provisório da República espera do Povo de Lisboa que, para dignificar a obra da Revolução envide todos os seus esforços para que cessem imediatamente todas as manifestações na rua que possam dar a impressão de que há alteração da ordem. É indispensável o máximo respeito pelas vidas e propriedades.
Para se estabelecer imediatamente a vida normal da cidade, todas as suas transacções do comércio e da indústria e a circulação pública convém que se regresse à vida do trabalho, que será o período inicial da reconstituição da nacionalidade.
Inspiram esta recomendação os mais altos interesses da República.
6 de Outubro de 1910
Joaquim Teófilo Braga» (2)

Na mesma data, o Governador Civil faz apelo à população e recomenda que «é indispensável haver todo o respeito pelas pessoas dos polícias, dos soldados municipais e dos padres, assim como de indivíduos de qualquer outra condição, castigando-se rigorosamente qualquer desacato que se pratique.
6 de Outubro de 1910
O Governador Civil Eusébio Leão»

A situação requeria medidas enérgicas que devolvessem a tranquilidade às populações e que deixassem os governos governar.
Nesse sentido, entre muitas outras, começaram, no final do século passado, a tomar-se medidas no sentido de reestruturação e reforma das autoridades que tinham a seu cargo a ordem e tranquilidade públicas.
No dealbar do século XX, criaram-se mesmo novos órgãos de polícia.
A polícia cívica, criada em 1867, foi várias vezes regulamentada. O Regulamento, publicado no Diário do Governo em 21 de Dezembro de 1876, determinava circunscrições policiais bem definidas para Lisboa, Porto e restantes distritos.
«Artº. 1º. - O serviço dos Corpos de Polícia Civil das cidades de Lisboa e Porto é limitado às circunscrições dos respectivos concelhos; o dos corpos de polícia dos outros distritos é extensivo às circunscrições de todos os concelhos do mesmo distrito (3).
Em 8 de Agosto de 1898, foi publicado outro regulamento datado de 4 do mesmo mês e ano destinado unicamente ao corpo de polícia de Lisboa em que, pela primeira vez, se recorre a oficiais do exército para ocupar cargos superiores do referido corpo.
Com a implantação da República foi dada como extinta a dita polícia para surgir, quase imediatamente, modificada. Uma das principais transformações que ressalta é a mudança das chefias. Em 9 de Outubro de 1910 assume o comando o Major Alberto Carlos da Silveira.
Em 1912 (4) é regulamentada a polícia do Porto que é chefiada por um Comissário-Geral sob as ordens do Governador Civil.
A investigação criminal estava a cargo dos comissários de polícia, conforme o contido na Lei de 2 de Julho de 1867.
Em 1902 (5) tinha sido aprovado o regulamento da Polícia Judiciária e de Investigação que é centralizada em Lisboa, sob a direcção superior do Juiz de Instrução Criminal subordinado ao Ministério dos Negócios do Reino. Porém o Juiz de Instrução Criminal deixa de exercer aquelas funções por extinção do cargo em 10 de Outubro de 1910 data em que em Lisboa é criado o lugar de Chefe de Repartição de Investigação no Comando da Polícia Cívica (6).
Não obstante as reformas dos serviços policiais operadas em 1918 e 1922, a Polícia de Investigação manteve-se integrada na Polícia Cívica até 5 de Dezembro de 1927, data em que passa para a dependência do Ministério da Justiça e receberá, mais tarde, a denominação de Polícia Judiciária.
A reforma de 1918 traz a primeira tentativa séria de organização dos serviços policiais subordinando-os a uma Direcção-Geral de Segurança Pública na dependência do Ministro do Interior.
Por esta reforma o continente foi dividido em tantos distritos policiais quantos os administrativos e à frente de cada um havia um Comissário-Geral de Polícia que superintendia em todos os serviços policiais do distrito excepto em Lisboa e no Porto com competência somente nos serviços de segurança (7).
A mesma Lei determinava que «à frente de cada concelho, que não seja capital de distrito, haverá um Comissário de Polícia Municipal que superintenderá sob as ordens do Comissário-Geral em todos os serviços policiais do seu concelho».
A Polícia Municipal teria as mesmas atribuições dos Corpos de Polícia Cívica e ainda as de Polícia Rural.
«Os serviços de Polícia Rural da GNR serão feitos de acordo com o Comissário de Polícia Municipal como dirigente da polícia no seu concelho.» (7).
Não encontrámos elementos comprovativos de que a reforma prevista no Decreto 4166 tenha sido implementada em toda a sua extensão. E julgamos mesmo que no que toca às polícias municipais e aos comissários de polícia municipal, ela não passou das boas intenções do legislador e a sua inserção no Diário do Governo.
Esta nossa opinião baseia-se em grande parte no facto de, pouco tempo depois, em Março de 1919, os diferentes corpos de polícia, com excepção do da emigração, terem passado novamente para a dependência do respectivo governador civil, passando a ligação destes corpos a fazer-se com a Direcção-Geral de Segurança Pública através dos governos civis. E ainda porque, em 1922, foi levada a cabo nova reforma nas instituições policiais, como veremos, onde já se não referem as polícias municipais nem os respectivos Comissários.
A reforma de 1992 publicada no Diário do Governo nº 220 I Série de 21 de Outubro de 1922 altera profundamente a constituição da polícia cívica argumentando-se entre outras razões a de que a reforma de 1918 tinha sido feita em regime de ditadura.
Pelo espírito da nova Lei os cargos de comissário-geral em Lisboa e no Porto deveriam ser providos por oficiais superiores do exército.
Nos restantes distritos do País determinava a Lei que houvesse um comissário de polícia subordinado ao Ministro do Interior (art 18).
O Governador Civil do Distrito superintendia em todo o serviço de Polícia com o fim de manter o espírito, a disciplina e a ordem e uma completa e cabal coordenação entre todos os serviços que estavam distribuídos pelos seguintes departamentos:
  1. Polícia de Segurança Pública;
  2. Polícia de Investigação Criminal;
  3. Polícia Administrativa;
  4. Polícia Preventiva e de Segurança do Estado.
As secções atrás referidas vão transformar-se em corporações distintas assim designadas:

  • Polícia de Segurança Pública que engloba a Polícia Administrativa;
  • Polícia de Investigação Criminal que, como já vimos, passou para a tutela do Ministro da Justiça e passará a denominar-se Polícia Judiciária;
  • Polícia Preventiva e de Segurança do Estado que conhecerá várias designações:
  • Polícia de Vigilância e Defesa do Estado;
  • Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE) e, no tempo do Professor Marcelo Caetano, Direcção-Geral de Segurança (DGS).
A partir do 28 de Maio de 1926, com as mudanças políticas exigidas pelo Estado do País, é mandado fazer uma sindicância às Polícias de Investigação Criminal, Administrativa e de Segurança Pública, na sequência da qual vieram a ser extintos alguns comissariados de polícia, como, por exemplo, o Corpo de Polícia Cívica de Castelo Branco por Decreto nº 12 608 de 6/11/1926, mandando, contudo, reconstituí-lo imediatamente.
Em 15 de Fevereiro de 1927 são dissolvidas as unidades do exército e da Guarda Nacional Republicana que, total ou parcialmente, tomaram parte nos movimentos revolucionários de 7 de Fevereiro.
Pela mesma razão foram dissolvidas as corporações policiais de investigação e segurança pública dos respectivos distritos, mandando-se, porém, reconstituí-las com a possível urgência.
Em 31/7/1928 é extinta a Direcção-Geral de Segurança Pública e criada a Intendência-Geral de Polícia (Decreto nº 15 825, publicado no Diário do Governo de 13/8/1928), mas em 1935, pelo Decreto nº 25 338 de 16 de Maio, publicado no Diário do Governo nº 111 de 16/5/1935 é feita nova reforma dos serviços policiais pela qual se cria o
Comando-Geral da Polícia de Segurança Pública do qual ficam dependentes os comandos distritais.

«Polícia de Trânsito» (1949 a 1958) - Pintura de Martins

Até 1960 nas áreas urbanas a cargo da PSP, quando havia alterações da ordem pública era chamada a intervir a GNR (geralmente a cavalo) porque a PSP não dispunha de unidades preparadas para fazer face a acções violentas.
Porém, pelo Decreto-Lei 42 908 de 8/4/1960 foi criada a Companhia Móvel de Polícia como unidade de reserva do Comando-Geral com organização, disciplina e preparação capazes de repor a ordem quando se tornasse necessário.
Esta unidade cumpriu a contento a sua missão mas na sequência da Revolução do 25 de Abril veio a ser extinta e substituída pelo Corpo de Intervenção (CI) criado pelo Decreto-Lei 131/77 de 5 de Abril, que faz parte das chamadas forças especiais da PSP e de reserva do Comando-Geral, juntamente com o GOE (Grupo de Operações Especiais) criado pelo Decreto-Lei 506/79 de 24 de Dezembro.
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(1) Diário do Governo nº 103 de 4 de Maio de 1911;
(2) Diário do Governo nº 2 de 7 de Outubro de 1910;
(3) Diário do Governo nº 295 de 30 de Dezembro de 1876;
(4) D. G. nº 178 de 31 de Julho de 1912;
(5) D. G. nº 214 de 23 de Setembro de 1902;
(6) D. G. nº 124 de 29 de Maio de 1911;
(7) Diário do Governo nº 94, 1ª Série de 2/5/1918.


MANUEL DOS REIS DE JESUS
Subintendente, Ap. "

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Beberete de Aniversariantes - Comando-Geral da PSP, ano de 1990
Da direita para a esquerda:
Comissário Rui Pratas; Brigadeiro Ribeiro da Cunha - 2º. C.G.; Superintendente-Chefe Anjos Martins; General Amílcar Morgado - Comandante Geral da PSP; Comissário Principal Rodrigues Ramalho; Comissário Dias Ferreira; Subintendente Manuel dos Reis; Comissário Valadas Horta. À retaguarda, a olhar de frente, Comissário Soares Tasqueira.


A Polícia na Sociedade (Parte II - Cap. 3)


3 - As raízes da Polícia Portuguesa (em medalha)

A fim de ilustrar uma resumida parte da História da Polícia e rememorar um passado, exponho, em imagem medalhística, algumas das figuras mais relevantes da polícia em Portugal, porque, dissociar o presente do passado, equivaleria a renunciar à sua compreensão.
Há que, reconhecer as raízes desta Instituição, sob o ponto de vista histórico, social e cultural o que, constitui, obviamente, um excelente contributo para eternizar a sua existência.
A herança não é só aquilo que os outros nos transmitem mas também o que nós elaboramos a partir dos elementos que recebemos. Vejamos, por exemplo, peças valiosas que assinalam, no seu contexto, o valor histórico da evolução da medalha: "(...) as mais notáveis peças da secção de arte clássica do Museu de Arte Antiga que incluem 11 medalhões romanos descobertos no Egipto, provavelmente cunhados para celebrar os Jogos Olímpicos da Macedónia, do ano de 242, em honra de Alexandre, o Grande" «A Colecção Gulbenkian - Livro Portugal - Guia American Express».
A medalha ocupa também no panorama das raízes policiais, um lugar de destaque.
No anverso das medalhas, estão sintetizados os elementos gráficos essenciais escolhidos para exprimir os temas.
O reverso, é uma articulação mais explícita com o legado histórico de que se reveste a efeméride.
Esboço histórico de medalhas policiais

Medalhas Policiais
(Anverso e Reverso, respectivamente)
Os Quadrilheiros - séc. XIV:
A Polícia em Portugal - Os Quadrilheiros - Primeira Ins
tituição Policial que existiu em Portugal, que viu decretadas em 12-2-1383, por D. Fernando, as suas primeiras leis.
A Intendência Geral da Polícia - Diogo Inácio Pi
na Manique - 1760-1833:
A Polícia Portuguesa - Intendência Geral da Polí
cia, criada em 25-7-1760, quando o Marquês de Pombal era 1º. Ministro. Foi extinta em 8-12-1833. Terceiro e mais famoso Intendente, Dr. Pina Manique, nomeado por D. Maria I.
Guarda Real de Polícia - 1802 a 1834 - Sold. Cav.
1808 Sold. Inf. 1808:
A Polícia em Portugal - Guarda Real da Polícia
- Criada em 1801 e oficializada, pelo Alvará de 2-1-1802. Envolvida nas Guerras Liberais. É extinta em 12-5-1834 pela Convenção de Évora Monte. Foi um corpo militar organizado e eficiente.
Guarda Nacional 1823 -1845:

A Polícia em Portugal - Guarda Nacional - Criada em 22-5-1823. Foi extinta em 7-10-1845, após um percurso atribulado. Salientou-se este corpo policial e militar na implantação dos Setembristas em 1835.
Guarda Municipal - 1834 a 1910 - Sold. Inf. 1834; Sold. Caval. 1834; Oficial 1848; Sold. Inf. 1900:
A Polícia em Portugal - Guarda Municipal - Criada p
or decreto de 3-7-1834, após a extinção da Guarda Real da Polícia. Dissolvida à data da implantação da República em consequência da posição que assumiu ao lado das forças monárquicas.
Polícia Cívica - 1867 a 1918 - Uniforme de Serv
iço 1898; Uniforme de Gala 1898:
A Polícia em Portugal - Polícia Cívica. Criada a 2-7-1867; este Corpo Policial foi instituído em todos os Distritos e na dependência dos respectivos Governadores. Sofridas numerosas reformas, deu lugar à actual Polícia de Segurança Pública.
Da «Cívica» à Polícia actual 1950 - Patrulheir
o; 1942 - Sinaleiro; 1945 - Chefe de Esquadra:
A Polícia em Portugal
Alterações mais significativas:
Dec. 4166 de 27 Abr 1918, cria a Direcção Geral
da Segurança Pública.
Dec. 8435 de 21 Out 1922, reorganiza os Serviços
da Polícia Cívica.
Dec. 15825 de 31 Jul 1928, extingue a Direcçã
o e cria a Intendência Geral da Segurança Pública.
Dec. 21194 de 20 Mai 1932, extingue a Intend
ência e recria a Direcção Geral de Segurança Pública.
Dec. 25338 de 16 Mai 1935 extingue a Direcção Gera
l da Segurança Pública e cria o Comando Geral da Polícia de Segurança Pública.
Polícia de Segurança Pública Comando G
eral:
"Diploma".
Polícia de Segurança Pública Pela Ordem e Pela Pátria:
. Sinaleiro;

. Guarda feminina;
. Motociclista;

. Patrulheiro;
. Intervenção.
A Polícia em Portugal Principais atribuições do Agente da PSP:
. Assegurar a ordem e tranquilidade pública;

. Impedir a prática de crimes e transgressões;
. Orientar e fiscalizar o trânsito;
. Vigiar os indivíduos perigosos e suspeitos;
. Proteger os fracos e os indefesos e
.Promover a prestação de socorros aos sinistrados e aos
doentes.



Medalha Comemorativa do "Dia da PSP"
Anverso
Comemorações Nacionais
02 Jul 1993

Dia da PSP
126º. Aniversário

Reverso
Dom Luiz, por graça de Deus, Rei de Portugal e do
s Algarves, etc., Fazemos saber a todos os nossos súbditos , que as cortes decretou e nós queremos a lei seguinte: Artigo 1º. É o governo autorizado a criar em cada uma das cidades de Lisboa e do Porto um corpo de polícia imediatamente subordinado ao governo do distrito que será denominado corpo de polícia civil.
(Diário de Lisboa - Ano de 1867 - Número 149 - Folha Oficial do Governo Português).


De referir que a minha colecção de medalhas (completa) já esteve em exposição na Câmara Municipal de Lisboa, no dia 02Jul1997, data da Comemoração do 130º. Aniversário da PSP e na Exposub/2008 que teve lugar no Parque de Exposições da Câmara Municipal de Montijo, onde expus Medalhas Policiais e Comemorativas, Guiões, Isqueiros, Pratos, Azulejos, Cinzeiros, Caixas de Fósforos, etc. que fazem parte da minha colecção particular de objectos alusivos à Instituição.

Carteiras de caixas de fósforos alusivas a uniformes policiais antigos

  • Uniforme de «Quadrilheiro» séculos XIV e XVII;
  • Uniforme de Gala «Polícia Cívica» criada em 1898;
  • Uniforme de Patrulha de 1948 a 1959;
  • Uniforme de Sinaleiro de 1942 a 1948;
  • Uniforme de 2º. Comissário,1959;
  • Uniforme de Patrulha, 1959.
Estas iniciativas são sempre bem aceites e as empresas que as promovem, neste caso a «Fosforeira Portuguesa - Espinho», não se cansam de as fazer chegar ao grande público, porque o objectivo é a de desenvolver uma cultura de prevenção indicando os procedimentos a adoptar antes que possa eventualmente acontecer alguma situação desagradável. Diz um velho ditado: "Prevenir foi sempre mais eficaz e mais barato que remediar".

Carteiras de caixas de fósforos com recomendações no âmbito da prevenção e protecção de bens

Prevenir é proteger
(Recomendações correspondentes à simbologia das caixas)
  • Tenha corrente de segurança e use-a; Os uniformes, só por si, não dão garantia. Verifique os documentos de identificação com a corrente colocada.
  • Reforce portas e janelas; Fotografe e marque objectos de valor; Preencha a Ficha de Pertences aconselhada pela PSP.
  • Use visor (olho-mágico) na porta; Não deixe chaves debaixo do tapete, vaso ou caixa do correio; Comunique à PSP da área ausências prolongadas.
  • Faça instalar, por técnico especializado, um dispositivo anti-roubo; Dê a conhecer, claramente, que o seu carro possui alarme; Dificulte e torne moroso o furto do seu veículo
  • Marque o carro em vários sítios e marque os extras do carro; À noite, utilize vias de comunicação bem iluminadas, mesmo que tenha de andar mais.
  • Quando estacionar: Antes de chegar ao local de estacionamento, ponha tudo no porta-bagagens; Feche bem os vidros; Tranque todas as portas.
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Reforma e Revolução
Portugal sofreu muitas depredações durante a Guerra Peninsular e depois da perda do Brasil. O período de caos culminou, em 1832, numa guerra civil entre o liberal D. Pedro IV e o absolutista D. Miguel. Os liberais ganharam, mas os posteriores governos foram, por vezes, reaccionários. Na segunda metade do século - período de estabilidade e de crescimento industrial - as tentativas de expansão na África falharam. Em 1910, o desenvolvimento com a monarquia constitucional levou à revolta republicana que forçou D. Manuel II a exilar-se.
A fundação da monarquia portuguesa vai-se perceber nas biografias dos primeiros reis. Durante quase oito séculos, desde a Idade Média até princípios do século XX, os destinos de Portugal foram conduzidos por uma monarquia (referida na Parte I, Cap. 3). O longo período desse tipo de governação, é marcado por muitos episódios que estão na origem, sem dúvida, do povo e da nação a que chamamos Portugal. O espírito de cruzada, as várias lutas pela independência, o espírito expansionista, entre outros, são marcas indeléveis dos vários reis e rainhas que compuseram a monarquia portuguesa. Todos os monarcas deixaram o seu cunho pessoal na longa história do nosso país.

Curioso, o acto de entronização de um novo soberano:
  • Em França - o acto era chamado de sagração;
  • Em Inglaterra - denominava-se de coroação;
  • Em Portugal - à mesma cerimónia dava-se o nome de aclamação, ou seja, o novo rei era aclamado pelo povo que estivesse presente.

Nascimento da República
O republicanismo difundiu-se pelas classes médias e ex
ército por intermédio de uma sociedade secreta denominada Carbonária. A revolução teve lugar em Lisboa, em Outubro de 1910, e durou menos de cinco dias.

Foto de postais ilustrados que ironizam a situação política que se vivia na época em Portugal, já que com as mudanças constantes de chefes de governo, permitia mudar nas janelas a data e o dia da semana, em que mudava o governante. Nas duas janelas observe-se que no Domingo nos aparece uma cara e à Segunda-Feira, outra.
(Livro: Reis e Rainhas de Portugal)

Proclamação da República Portuguesa em 5 de Outubro de 1910
A Primeira República:

- Do 5 de Outubro à crise partidária
A Segunda República (Estado Novo):
- De António de Oliveira Salazar a Marcello Caetano
A Terceira República:
- Do 25 de Abril aos nossos dias.


Entre êxitos e reveses, quando na vida de uma Nação ocorrem convulsões sociais e políticas graves, por vezes radicais, todas as estruturas públicas e privadas sofrem os seus efeitos, em maior ou menor grau. E as instituições ligadas à segurança e fiscalização constituem o alvo preferido dos faccionários.

A Polícia tem uma missão definida na Lei, que nada tem a ver com ideologias nem preferências partidárias. A única distinção que os seus elementos fazem é entre o cumprimento e a violação das Leis e Regulamentos, aprovados pelo Órgão Legislativo competente. Quando têm de intervir, perante uma infracção ou um delito, não importa a categoria social, o tipo de profissão ou a cor partidária do infractor. As leis, nos regimes democráticos, fizeram-se para serem cumpridas por todos, sem excepção, e, por conseguinte, ninguém se deverá julgar acima da Lei.

Retomando o fio à meada! Quando ocorrem convulsões e radicalismos políticos, acidentes graves (repentinos e imprevistos); catástrofes (acontecimentos súbitos, quase sempre imprevisíveis); calamidades (acontecimentos ou série de acontecimentos de origem natural ou tecnológicos), etc., a polícia é ainda mais necessária à vida da sociedade, a fim de prevenir ou atenuar os seus efeitos ou evitar que criminosos, traficantes, desordeiros e as mentes ínvias, aproveitem os tempos de confusão para exercerem vinganças, tirar desforços roubarem e servir interesses ocultos.

Portugal Moderno
Os primeiros anos da República foram marcados por crises políticas e económicas, até que o golpe militar de 1926 abri
u o caminho para o Estado Novo de 1933. Sob o opressivo regime de Salazar, o país libertou-se de dívidas, mas sofreu a pobreza e o desemprego. A defesa das colónias africanas deu origem a guerras, a agitações no exército e ao derrube do governo em 1974 - A Revolução dos Cravos - foi assim baptizada por as pessoas começarem a meter cravos nos canos das espingardas dos soldados; conduzida por oficiais insatisfeitos com as guerras coloniais na África, a revolução levou a um período de agitação enquanto Portugal se libertava de décadas de isolamento. A situação política tornou-se caótica. O novo governo executou um controverso programa de nacionalizações e reforma agrária, mas a esquerda radical foi afastada em Novembro de 1975, num rápido contragolpe. O doloroso regresso à democracia permitiu a entrada na Comunidade Europeia em 1986 (Livro: Portugal - Guia American Express).

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Para não enfatizar este post, que foi mais extenso do que aquilo que previa, falarei, muito sucintamente, da Unidade Especial da Polícia, dos Estabelecimentos de Ensino e da entrada de mulheres na Polícia.
Quanto à Unidade Especial da Polícia, a medalha comemorativa nacional emitida, no ano de 2008, pela Direcção Nacional da PSP, alusiva a esta Unidade, fala por si:
Esboço histórico do Anverso:
141º. Aniversário
Comemorações Nacionais 02 de Julho de 2008

A união faz a força
No Reverso:

Brasão da UEP
Legenda: - A união faz a força
Unidade Especial da Polícia.
"A U.E.P., compreende as seguintes subunidades o
peracionais:
O Corpo de Intervenção;

O Grupo de Operações Especiais;
O Corpo de Segurança Pessoal;
O Centro de Inactivação de Explosivos e Segurança em Su
bsolo;
O Grupo Operacional Cinotécnico".

Sendo de salientar a actividade da UEP, não só em Portugal, como também além-fronteiras, de harmonia com os compromissos internacionais assumidos pelo nosso País.

A Escola Prática de Polícia (EPP) - foi o primeiro estabelecimento de ensino, digno desse nome, a ser criado na Instituição.
A primeira referência à EPP aparece em 1962 e a sua a
ctivação surge somente no ano de 1966, quatro anos mais tarde.
O grande impulsionador da criação desta Escola foi o Comandante-Geral da PSP, o General Fernando de Magalhães Abreu Marques e Oliveira (inesquecível para a Instituição, no bom sentido!), que comandou a Polícia de Segurança Pública no período de 17/02/1959 a 09/07/1968.
O Primeiro Comandante da EPP, foi o Coronel do Exército, José Augusto Henrique Monteiro Torres Pinto Soares.
Devido ao facto das estruturas herdadas de outros tempos, pouco terem evoluído, existia um rol de situações com enormes deficiências, enfadonho de enumerar, as quais foram desaparecendo com a entrada para esta Escola, de um lote de bons instrutores/professores, oriundos da própria polícia, alguns dos quais com dotes literários (que já os havia!). Estes oficiais de polícia, submetidos a leccionar doses maciças de aulas, prestaram óptimos serviços à Polícia. Para quem tenha alguma noção, mesmo básica, de pedagogia, verifica que o esforço que eles faziam era quase desumano, dado o elevado número de disciplinas, na ordem das 35, exercidas a um ritmo alucinante de ensino, aulas que os alunos intrinsecamente levavam muito a sério. Alguns destes instrutores, oficiais de polícia, fizeram a "ponte" entre a EPP e a ESP.
A EPP começou a funcionar em Alcântara nuns espaços adaptados do Antigo Convento do Calvário - Lisboa. Este vetusto edifício sofreu obras de beneficiação de forma a adaptá-lo à satisfação das necessidades da EPP, até meados do ano de 1984, data em que esta Escola foi transferida para Torres Novas, onde ainda permanece. Posteriormente o mesmo edifício, que começou a funcionar nuns espaços adaptados, tem hoje umas instalações modernas, superiores às de alguns institutos públicos e serve presentemente de Instalações do Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna (ISCPSI).

Encerramento dos 17ºs. Cursos de Promoção na EPP - Lisboa, ano lectivo de 1983/84



Escola Prática de Polícia (EPP) - Torres Novas

Compromisso de honra de novos agentes da PSP - Cerimónia de encerramento do Curso de Formação de Agentes de 1995, à qual presidiu o Superintendente-Chefe, Freire de Matos.


Vista geral do Edifício do Calvário (Revista: Polícia Portuguesa, Jan/Fev de 1987)

A Escola Superior de Polícia, hoje Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna (ISCPSI), data de 1982, foi criada para formar os quadros de oficiais de polícia, habilitando-os com os conhecimentos que hoje são considerados imprescindíveis para dirigir uma organização policial. Este estabelecimento de ensino, iniciou funções no ano lectivo de 1984-85 e, destes oficiais de polícia com formação de nível superior (passaram a obter o grau de licenciados em Ciências Policiais e Segurança Interna - equiparados aos outros alunos universitários), já ascenderam, alguns deles, ao posto de Intendente e estão, muito próximo de atingir a categoria de Superintendente. Aquele que foi o primeiro aluno deste Instituto Superior de Polícia, é, neste momento, o Director do Instituto.

1º. Baile de Gala dos Finalistas da E.S.P. (hoje ISCPSI), dia 01Jul1995 - Revista Polícia Portuguesa, Jul/Ago de 1995)

Claustros do Edifício do antigo Convento do Calvário


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A entrada de mulheres na PSP deu-se em Jan1972, tendo contado com a participação de 250 instruendas.
No primeiro alistamento foram admitidas 250 mulheres, todavia somente 229 tiveram aproveitamento escolar no final do tirocínio.
Registe-se, contudo, que a primeira mulher-polícia desta instituição, havia sido alistada em 1930; trajava civilmente e dedicava-se sobretudo à vigilância de mulheres e crianças.

A PSP no Dia Mundial da Criança
(Da Revista Polícia Portuguesa, Mai/Jun de 1993)

No "jogo" das indecisões superiores, as alistadas de 1972, só puderam concorrer ao posto imediato (Subchefe), em 1981. A partir de então, tanto os homens como as mulheres, têm concorrido e ascendido aos postos imediatos em termos de igualdade.


Patrulhamento urbano
(Revistas: Polícia Portuguesa Jan/Fev. 1993 e Jan/Fev. 1998, respectivamente
)
  • A missão do patrulheiro é bastante vasta e engloba um pouco de cada uma das funções especializadas. A destacar: O apoio informativo à população, sempre que solicitado;
  • A vigilância e prevenção da criminalidade, actuando como elemento fortemente dissuasor de actos delinquentes ou socialmente reprováveis;
  • A regularização e fiscalização do trânsito ou de quaisquer outras actividades da competência da polícia;
  • A recolha e transmissão das notícias com interesse policial para ulterior exploração.

Para não perder o encadeamento alusivo a esta parte e capítulo, apresento, por último, a medalha dos elementos gráficos que exprime o tema e o legado histórico de que se reveste "A Polícia em Portugal":

(Anverso)

PSP
Organização Territorial
- Comando-Geral (hoje Direcção Nacional);
- Comando Regional;
- Comando Distrital
Açores e Madeira

(Reverso)
A Polícia em Portugal
Constituição da República - 1976
Artigo 272º :
  1. A Polícia tem por função defender a legalidade democrática e os direitos dos cidadãos.
  2. As medidas de polícia são as previstas na lei, não devendo ser utilizadas para além do estritamente necessário.
  3. A prevenção dos crimes, incluindo a dos crimes contra a segurança do Estado, só pode fazer-se com observância das regras gerais sobre polícia e com respeito pelos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos.

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Nem sempre é suficientemente valorizado e reconhecido o papel dos órgãos e dos agentes que, diariamente e nas mais variadas missões, contribuem para a manutenção da segurança e do respeito pela legalidade estabelecida.
A Segurança, a Ordem e a Tranquilidade Públicas são condições fundamentais para o desenvolvimento harmonioso de qualquer sociedade e para a qualidade de vida das populações.


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A Polícia na Sociedade (.)


Conclusão


Esta minha abordagem sobre a polícia, como componente da estrutura social que organiza os estados, não pretende mais que lembrar a contribuição desta instituição para a segurança das nações e dos povos.
Naturalmente que toda a acção desta instituição foi sendo actualizada, quer em função de interesses dominantes, quer pela acção humanista que veio a alargar o âmbito da sua acção, a partir, sobretudo, dos valores de igualdade e cidadania que se imprimiram nas constituições americana e francesa do séc. XVIII.
A acção da Polícia, como interveniente cívica na estabilização da vida social tem, como todas as instituições que são da responsabilidade dos homens, momentos de grandeza e outros que nem sempre foram aceitáveis à luz dos valores actuais.
Algumas figuras do polícia diligente ficaram célebres, quer através da literatura, como o inspector parisiense Javert, criado por Victor Hugo, quer através da sua histórica intervenção social como o nosso famoso Intendente Pina Manique, criador da Casa Pia.
Como a sociedade tem caminhado para os diversos campos da especialização, naturalmente a polícia tem acompanhado esse desenvolvimento.
Este tema tratado numa perspectiva histórica muitíssimo resumida, como no início referi, poderá dar para reviver a história da polícia e da sua própria evolução ao longo dos tempos.
Perceber-se-á certamente que o seu desenvolvimento progressivo deu-se, em paralelo, na medida da evolução histórica do país, isto é, da própria sociedade em que se insere.
Porém, a própria sociedade tem também, e por vezes, uma imagem dúbia da polícia e um quadro de expectativas por vezes irreconciliáveis, já que, por um lado, exige dela repressão contra o crime e, por outro, critica a acção policial. Muito a propósito, algumas séries americanas recentes, que se debruçaram sobre a profissão, chegaram à conclusão de que "ser polícia" é uma das mais perigosas profissões do Planeta.
Referi ainda no tema um ou outro ramo ou órgão especializado ou de ensino da Instituição, como por exemplo, a Escola Prática de Polícia, a Unidade Especial de Polícia e o Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna que especializa profissionais em graus superiores, em concorrência com as mais altas funções na defesa do estado e do cidadão.
Alguns livros a que fiz referência na Bibliografia fazem um relato circunstanciadamente, sóbrio e esclarecedor, que permite conhecer melhor alguns factos mais relevantes que nos levam a compreender muito melhor o passado da polícia, o qual continua permanentemente num constante processo adaptativo face à evolução da sociedade em que está inserida.
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Foto da tomada de posse de Superintendentes-Chefes, de Superintendentes e de Subintendentes

Local:
Salão Nobre da Direcção Nacional da Polícia de Segurança Pública - Lisboa (18Dez1998)

Da esquerda para a direita:
Subintendentes Encarnação Trindade; Moreira Rodrigues; Silva Conde; Santana Ribeiro; e Paulo Aires. Superintendente Jorge Barreira. Superintendente-Chefe Ruivo de Oliveira. Director Nacional da PSP - Gonçalves Amaro, que deu posse aos recém-promovidos. Superintendente-Chefe Alves Martins. Superintendente Machado Silva. Subintendentes Ribeiro Fonseca; Valadas Horta e Cardoso Amaral.

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Bibliografia
  • A vida no Antigo Egipto (livro) - Autor: Boris de Rachewiltz - Círculo de Leitores
  • Anuários da Escola Prática de Polícia (livros)
  • As raízes da Investigação Criminal - Internet http://juvi.com/artigos/2081/ - Higor Jorge
  • Clube do Coleccionador - Revista Quadrimestral
  • Dados alusivos às efemérides das medalhas policiais e comemorativas pertencentes à minha colecção
  • Grande Enciclopédia Universal - Edição em exclusivo para o Correio da Manhã
  • História da Polícia de Segurança Pública - das Origens à Actualidade (livro) - Autor: João Cosme, Edição Sílabo, Ldª.
  • Lictor - A enciclopédia livre (Internet) http://pt.wikilingue, com/es/Lictor
  • Nos Trilhos da Pedagogia - de Aldeia Galega a Montijo (livro) - Autor: Dr. Joaquim Carreira Tapadinhas - Edição comemorativa do Cinquentenário da Escola Secundária Jorge Peixinho
  • O Homem na América - Internet
  • Polícia: que instituição é esta http://www.adalbertotargino.com/2009/10/05/polícia-que instituição e esta/
  • Polícia Portuguesa - Revistas: nºs 225/1974, 27/1984, 100/1996 e outras
  • Portugal (livro) - Guia American Express
  • Reis e Rainhas de Portugal (livro) - Autor: Manuel de Sousa; Prefácio: Dom Duarte de Bragança
  • Subsídios para a História da Polícia Portuguesa (livro) - Autores: Dr. Diamantino Sanches Trindade e Subintendente Manuel dos Reis de Jesus - Obra mandada investigar e executar pelo Comandante da Escola Superior de Polícia Superintendente-Chefe Fernando Manuel Afonso de Almeida
  • Vontade de Vencer (livro) - Autor: Comissário Principal Dr. António Lourenço.

Colaboradores
  • Joaquim Carreira Tapadinhas, historiador e escritor - Licenciado em História, Pós-Graduado em História de Portugal e Mestre em História Política e Social (Ofereceu-me o livro da sua autoria: Nos Trilhos da Pedagogia, com a dedicatória: «Para o meu amigo ...Horta, alentejano que adoptou Montijo como sua terra. Um abraço fraterno»).
  • Manuel dos Reis de Jesus, Subintendente da PSP, aposentado (Ofereceu-me o livro de sua co-autoria: Subsídios para a História da Polícia Portuguesa, com a dedicatória «Ao meu bom amigo e colega ...Horta, com um grande abraço de muita amizade e estima»).


domingo, 14 de fevereiro de 2010

Um Poema


Para ti, Polícia
Graduado ou não
Tanto faz
  • Símbolo da confiança
  • Da tranquilidade, da paz...
  • Não deixes que vozes sujas,
  • Manchem tua reputação!
Quer em tempo de acalmia,
Ou até de «tempestade»,
Estende a todos tua mão,
Com sorriso de amizade,
(Que não o da ironia...)
Pois esta vida é tão pouca,
E em tão pouca valia
Não deve haver malquerença
Na rudeza do dia-a-dia!
  • Em tempos tumultuosos,
  • Sê cauteloso guerreiro,
  • Nem caminhos sinuosos,
  • Te sirvam de embaraço.
  • Que nada tolha teu passo,
  • E sê tu sempre o primeiro!
Sê a Lei!
No seu Todo de acepção!
  • Que em ti todos encontrem
  • Justiça sem tibieza,
  • Jamais topem com fraqueza,
  • Mas força feita razão!
  • Deste modo granjearás,
  • Respeito, simpatia,
  • Gratidão!
E tu,
Tu de bem ficarás,
Não apenas contigo,
Mas com a Humanidade.
  • E sentirás,
  • Cumprindo em «Espírito de Corpo»
  • Que o Homem-Autoridade,
  • Não é mais símbolo morto
  • Nesta nossa sociedade!
Maria Emília Sá - 2º. Oficial

Revista POLÍCIA PORTUGUESA, nº 3 - II Série, Maio/Junho de 1980


No Salão Nobre da Direcção Nacional da PSP
(De braçal de Oficial de Dia, sou eu. À direita, de fato azul, é a autora do poema. a 2º. Oficial Emília Sá)

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Comentário

André disse...

"Amor à profissão!
Bem haja"

7 de Abril de 2010 1035

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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Artigo de Jornal algo pertinente ou talvez não!


O Jornal Correio da Manhã - Quinta-feira, 11-02-2010, na Pág. 15, refere o seguinte:

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"POLÍCIAS - Após rejeição de dois estudos a favor da junção
Presidente da República, Cavaco Silva, efectuou ontem uma visita de trabalho ao Comando-Geral da GNR
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UNIÃO PSP - GNR ainda em análise
Cavaco Silva foi ontem informado sobre os modelos de policiamento que Governo pondera.
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Miguel Curado
A união efectiva entre a PSP e a GNR é um cenário que ainda não está descartado. O Presidente da República, Cavaco Silva, foi ontem informado, durante a visita de trabalho que efectuou ao Comando-Geral da GNR, de que, apesar de não considerar para já essa possibilidade, o Governo analisa ainda as vantagens de uma junção entre as duas forças de segurança. Quando os jornalistas quiseram saber a sua opinião pessoal sobre o actual modelo operacional das forças de segurança (com uma polícia civil - a PSP -, e outra de cariz militar - a GNR -, ambas tuteladas pelo Ministério da Administração Interna), o presidente evitou dar uma resposta directa.
No entanto, Cavaco Silva revelou que o Ministro da Administração Interna, Rui Pereira, o informou durante a visita ao Comando-Geral da GNR de que está a ser feita uma avaliação «do actual modelo de funcionamento da GNR e das forças de segurança».
Depois de ter recusado os estudos da consultora Accenture e do universitário Nuno Severiano Teixeira, que recomendavam uma junção efectiva da PSP e GNR, o Governo pondera ainda as «vantagens e desvantagens da multiplicação de funções causada pela existência de duas polícias a patrulhar e investigar». «O Presidente da República foi informado destas análises operacionais», disse fonte ligada ao processo (Presidente da República não opina sobre modelo que prefere)".
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Entrevista:
"UMA POLÍCIA ÚNICA RESOLVE PROBLEMAS
Francisco Oliveira Pereira, Director Nacional da PSP, diz que a eventual unificação com GNR e PJ, dando origem a um corpo de polícia com vertentes de investigação e patrulhamento, é «questão política» mas, «provavelmente», a solução para travar dispersão de meios e dar melhores condições de vida aos polícias"
(Jornal Correio da Manhã, 16.04.2010).

A propósito
No dia 05 de Março de 2008, publiquei um post com o título:
Sabia que!
No ano de 1975, no denominado "Verão quente de 75", um ano após a Revolução do 25 de Abril, o General José da Silva Pinto Ferreira, ao tempo Comandante-Geral da PSP e da GNR, no discurso (Saudação) da sua tomada de posse disse o seguinte:
"Ao assumir o Comando da Polícia de Segurança Pública saúdo todos os oficiais, comissários e agentes, funcionários civis e restante pessoal, desejando deste modo transmitir quanto me honra o Comando de tão prestigiosa Corporação, a todos manifestando o meu total empenho em contribuir para o seu maior prestígio, esperando a geral e necessária colaboração para a construção da Força de Segurança que há-de resultar da fusão com a Guarda Nacional Republicana e que tem de ser o garante da protecção e defesa do Povo deste País".

Projectava-se, nessa altura, criar uma nova força que nasceria da fusão da GNR com a PSP.
Por determinação superior, através do Comando Distrital de Setúbal, foi então decidido de comum acordo entre as duas Instituições (PSP e GNR) ao seu mais alto nível, que a Esquadra do Montijo e os Postos da GNR de Montijo e Alcochete, serviriam de projecto-piloto a uma dessas experiências em dois jogos de futebol do Clube Desportivo do Montijo para o então Campeonato Nacional, operações de policiamento levadas a efeito pelo Subchefe-Ajudante Valadas Horta, ao tempo a comandar interinamente a Esquadra do Montijo.
A operação de policiamento decorreu com toda a normalidade. Os efectivos das duas Corporações respeitaram-se mutuamente.

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...Recorreu-se também a uma campanha onde se explicava que se estavam a tomar medidas com o intuito de tornar a PSP uma polícia cívica As suas ideias base eram as seguintes:
  • Substituição de todos os Comandos Distritais e Chefes de Serviço, por militares integrados no espírito do 25 de Abril;
  • Difusão de directivas sobre a intensiva mentalização dos agentes quanto aos novos processos de actuação e necessidade de esclarecimento político;
  • Palestras realizadas em todos os Comandos sobre esclarecimento político;
  • Intensiva campanha de mentalização dos agentes quanto aos novos processos de actuação exigidos.
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Na página 4 da Revista Polícia Portuguesa, nº. 6 - II série, Nov/Dez de 1980, o Director da Revista, Coronel (mais tarde Superintendente) António dos Anjos Martins, refere o seguinte:
"A Revista Polícia Portuguesa, tem novo director.
Ao ser investido na função e Chefe do Estado-Maior da Polícia de Segurança Pública, assumi, por inerência do cargo, a responsabilidade de director desta Revista.
Quando em 1975 face a uma hipotética fusão da PSP e GNR, se suspendeu a sua publicação, foi com profundo pesar que vivemos esse interregno. Posta de parte tão irrealista hipótese, bem depressa se desenvolveram esforços em ordem a retomar a sua publicação.........".

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O post antes referido mereceu um comentário do NOCA (Senhor António Nobre de Campos, Oficial da GNR, na situação de aposentação) que trancrevo:
NOCA disse...
"Parabéns ValHor, por teres tocado num dos pontos mais sensíveis da história das polícias portuguesas. Foi um período romântico e de sonho esse de 1975.
Quem ousaria tentar resolver o problema da quadratura do círculo?
Só um romântico como o Pinto Ferreira, (Pinto Peneiras, como jucosa e depreciativamente os seus adversários lhe chamavam).
O problema deste país é que o povo é demasiado "grande" para um território tão pequeno: a nossa dimensão é o Império e estamos, hoje ainda, com dificuldade em nos adaptarmos à nossa dimensão real.
.................................................. Mas detenhamo-nos nas polícias: para um país tão pequeno, para que queremos duas grandes instituições policiais com os mesmos objectivos, como a PSP e a GNR? Para se vigiarem mutuamente, dividindo para reinar? Com a nova realidade europeia, não parece que tal seja necessário ou oportuno, como no tempo da "outra senhora".
O tempo não anda para trás e o tempo das castas tem de acabar, embora haja estertores difíceis de extinguir.
Vamos em frente que atrás vem gente!".
15 de Março de 2008 9:25
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NOCA disse...
"Ao romantismo de 1975 há que opor, agora, o realismo pragmático de uma racionalização do uso dos meios, que mais não seja, para poupar alguns euros aos cofres do Estado.
Mas, além disso, as novas realidades sociais, a ocupação do território pelas populações, em aglomerados urbanos cada vez mais concentrados, exigem novas formas de policiamento de proximidade e civismo para as quais um corpo especificamente militar, não parece o mais adequado: isto sem desmerecer os valiosíssimos préstimos da GNR, a que me orgulho de ter servido o melhor que pude e sabia.
Penso, no entanto que é tempo de reformular as duas instituições e dar-lhes formas de actuação e meios para cumprimento das missões, cada vez mais adaptadas às novas realidades.
Espero que os centros decisores saibam fazê-lo, seguindo mais certos e seguros!"
16 de Fevereiro de 2010 14:23
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